Com mais um provocante teste nuclear, depois do que foi realizado em 2006, a Coreia do Norte pensa que pode continuar a gozar com a comunidade internacional para sempre. Por enquanto os EUA podem estar enfraquecidos pela crise global e desgastados pelas guerras no Afeganistão e Iraque, mas a retoma chegará. E com o regresso do crescimento económico, a par com a retirada do Iraque, vamos assistir a um fortalecimento dos americanos (apesar de poderem ter um papel decisivo na crise paquistanesa, a administração americana nunca alocará tantos recursos como fez para Iraque e Afeganistão). Numa análise simples e directa, penso que após 2012 a Coreia do Norte arrisca-se a desaparecer do mapa se pretender continuar com esta atitude de criança mimada que quer, desesperadamente, atenção. Uma coordenação entre EUA e Rússia poderia rapidamente pôr fim ao regime militarizado e esmagar qualquer tentativa de contra-ataque. A China não pode tolerar um vizinho mal comportado que aspira ser uma potência nuclear e as relações entre estes dois países irão piorar, até que a China não se oponha a uma intervenção militar. Neste momento a via diplomática está esgotada: a Coreia do Norte ameaçou renunciar ao cessar fogo com o seu vizinho do sul e lançar um ataque militar contra as suas fronteiras (in Público); retirou-se das conversações com vista ao desarmamento nuclear; testa mísseis balísticos e deflagra engenhos nucleares subterrâneos. A situação está a chegar a um ponto insustentável e as potências estão a perder a paciência com o "Querido Líder". A juntar a tudo isto, há uma população de 22 milhões de pessoas que vive na pobreza extrema e que tem fome. População essa que vive asfixiada por uma ditadura que não se preocupa com os seus problemas. Para já, não será fácil persuadir a Coreia do Norte a abdicar do seu programa nuclear em troca de (ainda mais) ajuda dos países desenvolvidos.
CBA
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